REFLORESTANDO NOSSOS CÉREBROS PARA UM PLANETA VERDE!

 

Descrição de Imagem por Rosa Santos: Imagem em preto e branco, é parte da face direita de uma mulher jovem, vista de frente, uma lágrima escorre do olho fechado, ao fundo parte do corpo desfocado.

Crônica de Déborah Prates, Carioca, Advogada, Conselheira da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/RJ.

ÓBVIO! Como precisamos olhar no espelho e nos dizer o ululante.  Antes de falar para a sociedade se faz imprescindível uma conversa com o nosso cérebro. De nós para nós. Para um PLANETA VERDE precisamos, verdadeiramente, REFLORESTAR OS NOSSOS CÉREBROS. O desmatamento, super aquecimento, derretimento das calotas polares e tudo mais que precisa ser revisto para a existência do homem na Terra há que ter o pontapé inicial na recuperação  das mentes humanas que estão necrosadas em sua grande maioria.

Incrível como uma “laranja podre contamina as demais”!  No novo amanhecer ainda vemos uma esperança nos corações tão complicados/intricados. Pós HORROR humanitário ocorrido na escola do Rio de Janeiro é que tudo quanto já “estava na cara” passa a ser dito. Ouvimos do nosso Governante a qualificação do criminoso como “ANIMAL”. Então, é que paramos para fazer um paralelo desse conceito com o pensamento de Mahatma Ghandi: “A grandeza de uma nação e o seu progresso moral, podem ser avaliados pela forma como tratam os seus animais.”  Bullying de alunos tem a idade da humanidade. Rendemos graças ao Criador pela conscientização do tema agora pelos nossos Tribunais. Repetidas vêm sendo as decisões condenando colégios por todo o Brasil.

Fiquei cega faz 5 anos. Nessa hora de profunda mudança de realidade foi que minha filha  (12 anos à época) foi mais uma vítima do bullying. A razão? Pasmem! Por conta de BERE – minha bengala – que deixou minha filhota vulnerável a todo tipo de piadas e humilhações. “AMIGAS” que frequentavam a nossa casa desde o maternal foram as vilãs. Fomos isoladas ostensivamente. Sob os olhos da Direção e dos Responsáveis pelas crianças recaiu o singelo manto da INVISIBILIDADE. Todos fingiam nada ver. Tomando como paradigma o conto de Hans Christian Andersen, A ROUPA NOVA DO IMPERADOR, é que tem lugar o dito popular “O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER”. Cruel! Por muita fé na vida foi que mantive o equilíbrio e consegui conduzir minha filha para que, por livre decisão, decidisse alçar voo para novo colégio também religioso, onde fomos recebidas pelo Padre reitor com honras de Chefe de Estado. Conseguimos digerir bem toda essa maldade praticada pelos que se diziam “amigos” e a vida vai muito bem obrigada. Mas nem todos têm igual estabilidade mental e emocional. O chamado “ANIMAL” pelo nosso Governante é um TRISTE exemplo desse desequilíbrio gerado pela própria SOCIEDADE. O “ANIMAL” foi mais uma vítima do bullying. Estaríamos morrendo com o próprio veneno? De acordo com relatos veiculados pela mídia o “ANIMAL” e seu amigo de escola eram chamados de RETARDADOS e isolados. O que será que sentem e dizem os Senhores Dirigentes, Pais/Responsáveis e os próprios Alunos/Colegas do “ANIMAL” que despejaram nele suas maldades? Lamentavelmente constatamos que a MALDADE, inércia e outros males praticados pela sociedade se VOLTAM contra si com FÚRIA REDOBRADA.

Em 2005, a sociedade – DEMOCRATICAMENTE – exercitou o seu direito de se pronunciar diretamente a respeito de questão de interesse geral. Disse NÃO no REFERENDO DO DESARMAMENTO. Duas foram as armas encontradas junto ao corpo do “ANIMAL”. Uma  (com numeração raspada) indica ser subtraída da Polícia e outra desaparecida há mais de 18 anos, segundo a imprensa. Dias antes desse HORROR SOCIAL quase o RJ foi vítima de outro. Relembro a ordem partida do MEC/MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, sendo chamados os Dirigentes das ESCOLAS ESPECIALIZADAS DO “IBC” e “INES”, para que no próximo ano letivo não mais aceitassem matrículas de alunos CEGOS e SURDOS para o ensino básico. Inenarrável DESCALABRO! O argumento? A escola REGULAR. Seriam as escolas SECULARES do “IBC” e do “INES” IRREGULARES? Os que se classificam como NÃO “ANIMAIS” praticariam essas atrocidades sob a roupagem da INCLUSÃO. Tamanha e rápida fora a movimentação contra esses desvarios que o dito ficou pelo NÃO dito.

O filósofo Aristóteles, em remotos tempos, já argumentava que se tratassem igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, nas proporções de suas desigualdades. Inacreditável que os doutores em educação não se deram conta que a primeira língua aprendida pelos surdos é a de SINAIS (LIBRAS), e, após o português. Os cegos, por ilustração, hão que aprender a ver o mundo com o tato para formar os elementares conceitos. Perda de tempo é repetir que as ditas escolas regulares não têm condições nem para formar alunos SEM deficiência, quem dirá alunos COM deficiência, valendo dizer com necessidades especiais. Também não precisa ser muito inteligente para captar que os alunos especiais seriam alvo das mais torpes formas de discriminação, melhor referenciando/atualizando o bullying.

O já lembrado autor Andersen (1.805), no conto AS CEGONHAS, muito bem mostra o bullying. “UMA cegonha construíra seu ninho no telhado da última casa de um povoado. A mamãe cegonha estava sentada no ninho com seus filhotes, que assomavam seus biquinhos negros, pois ainda não haviam adquirido sua cor vermelha. Papai-cegonha estava a pouca distância, na beira do telhado, em pé e entorpecido, com um pé recolhido embaixo do corpo, fazendo de sentinela. … Um grupo de garotos brincava na rua; e, ao ver a cegonha, um dos mais atrevidos, seguido pelos outros que lhe faziam coro, entoou uma cantiga a respeito das cegonhas, cantando -a meio de improviso: Vela por teu ninho, pai-cegonha, Onde te esperam três pequeninos. O primeiro morrerá de urna estocada, o segundo queimado E o terceiro enforcado.

– Que dizem esses garotos? – perguntaram os filhotes.

– Dizem que morreremos queimados ou enforcados? – Não façam caso – respondeu a mamãe-cegonha. – Não os ouçam, pois ninguém lhes fará nenhum mal.

Mas os meninos continuavam cantando e apontando para as cegonhas; somente um, chamado Pedro, disse que era vergonhoso
divertir-se à custa daquelas pobres aves e não quis imitar os companheiros. Mamãe-cegonha consolou seus pequeninos, dizendo- lhes: – Não se preocupem com isso. Vejam seu pai como está firme em cima de um só pé.

– Temos muito medo – replicaram os filhotes, escondendo as cabecinhas dentro do ninho.

No dia seguinte, quando os meninos voltaram a brincar, viram novamente as cegonhas e repetiram a canção.

– É verdade que morreremos queimados ou enforcados? – perguntaram de novo os filhotes.

– De forma alguma! – replicou a mãe. – Vocês aprenderão a voar. Eu os ensinarei”.

Longe de ser a vida um programa de computador onde tudo está gerenciado como pensam os não “ANIMAIS”. Por outro foco temos que repensar as nossas posturas nas urnas. A omissão também é crime. Quantas pavorosas lições tiramos desses últimos acontecimentos. E por ser advogada é que não preciso ter a isenção do jornalista, pelo que posso dizer aos Leitores que termino esse artigo em PRANTOS. Choro sobretudo pelas Famílias que foram dilaceradas com a brutalidade com que perderam seus entes amados. Choro em solidariedade ao futuro das crianças sobreviventes. Choro pelo mal que a sociedade /escola fez ao “ANIMAL” e que se voltou contra si em ira imensurável. Choro para que o Criador tenha compaixão da humanidade que é tão complexa. Rogo aos Leitores que se deixem contaminar pelo exemplo do personagem PEDRO – do trecho do conto de Andersen acima – de modo a se permitirem pensar no próximo como em si mesmos. Desejo que, como Fênix, tenhamos forças para renascer das próprias CINZAS!

Por Déborah Prates (@deborah_jimmy)

deborahprates@yahoo.com.br

Nota do Blog: Nosso blog fala sobre moda, arte, sustentabilidade e tudo isso focando sempre na inclusão. Você já tinha ouvido falar em Sustentabilidade Humana? Pois é… O texto acima trata disso. Impossível preservar um planeta se não conseguimos preservar as mentes e consequentemente a humanidade que habita este planeta… Quero abraçar árvores sim! Mas quero continuar abraçando pessoas… Vidas… Incluindo, vivenciando a diversidade. E, como mãe, cidadã, não quero buscar respostas superficiais para dizer que as tenho. Quero que a sociedade e as autoridades mergulhem fundo em questões muito sérias, para que nunca mais vivamos um episódio como este… Não quero que o medo tome conta de minhas filhas… O medo do outro… Por isso, eu tinha uma única certeza: esse tema precisaria ser abordado sim num blog de Moda e Arte mas, tinha que ser de uma maneira ampla… Quando li a crônica de Déborah, entendi que era a hora de abordá-lo para uma profunda reflexão. A Sustentabilidade Humana é uma urgência!  Fica nosso amor, nosso abraço às famílias que vivem essa dor imensurável… Que a sociedade abrace essa região para que  haja esperança e bons frutos. Sou mãe… E, quando se experimenta gerar vidas, é impossível ficar indiferente a essa dor. (Lu Jordão)

 

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4 Comentários

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4 Respostas para “REFLORESTANDO NOSSOS CÉREBROS PARA UM PLANETA VERDE!

  1. Rosa Santos

    Lindo! As palavras de Lu e Deborah se completam, ampliando o conceito de sutentabilidade. Parabéns Lu Jordão e Deborah Prates, este é o blog da sustentabilidade em toda sua amplitude.

  2. Que tristeza. Só hoje descobri este blog.
    Que Alegria ter descoberto este blog
    Sou neófita nas redes sociais, e hoje encontrei vosso Bom dia! de 10 de março no Twitter. Estou a aprender.
    Sou mãe de quatro filhos. Que desde muito pequenos convivem com crianças com muita deficiência física, sensorial, intelectual. A mais velha é uma professora em rede municipal, que aflita tentava segurar o choro durante os momentos que se seguiram aos acontecimentos na Escola Tarso, no Rio. Ela olhava para seus alunos e imaginava isso acontecendo ali, naquele momento. E pensava na historia de vida de cada aluno. Como mãe do Chiquinho de 3 anos ela também imaginava o pequeno brincando com suas professoras lá na creche e como professora ela sentia na pele o que os professores da escola Tarso sentiram. Como ser humano ela também tentava entender o que levou aquele rapaz a arbitrar sobre a vida de tantas pessoas.
    Sou uma profissional, que sempre que encontro um novo grupo de alunos, proponho para os mesmos um momento de reflexão, e que pensem se fossem nascer surdos ou cegos, qual seria a opção escolhida?
    Por que faço isso? Primeiro para que possam compreender que ser cego não é a pior opção. Porque sempre 99% dos alunos escolhem nascerem surdos. Acabo sempre dizendo, que graças ao avanço das tecnologias e a mobilização férrea e determinada de um grupo de cegos, há muito mais para eles neste mundo desigual, do que para os surdos. Que em termos de conhecimento há muitos mais cegos nos bancos universitários, há mais cegos cientistas, investigadores,psicólogos, pedagogos, inventores, promotores de qualidade de vida para milhões de pessoas, do que surdos. Isso porque o mundo “normal” criou por muito tempo uma barreira para os surdos, exigindo que primeiro eles fossem alfabetizados, proibindo durante décadas o uso da língua de sinais nas escolas. Uma enorme contra-mão pedagógica, emocional para essas pessoas. Uma imensa barreira de acessibilidade.
    No final da minha exposição, com certeza já preferem ser cegos a serem surdos!
    É preciso se colocar nessas situações para se entender um pouco dessas dimensões.
    Como profissional que durante muitos levou dezenas de crianças com múltiplas deficiências a passear, realizar atividades de laser e culturais sei – com muita tristeza – o que as pessoas “normais” são capazes de expressar, de demonstrar em relação às pessoas com deficiências.
    Sinto-me uma profissional retrógada, pois, não defendo a Inclusão Escolar.
    Acredito sobremaneira no mundo do Desenho Universal, acessível e crível para todas as diversidades. Mas quando se trata de transferir conhecimentos educacionais, só imagino um trabalho educacional personalizado e conduzido com profissionalismo especializado para essas pessoas.
    Os professores não estão ainda preparados, e não admissível pensar-se na Inclusão Selvagem, pois, a justificativa atual: ela tem que ocorrer, custe o que custar.
    Para mim, não há custos, há direitos inequívocos. Que seja feita a inclusão com todo o arcabouço necessário. Já agora. Sem pagar-se o preço.
    Não se vislumbra um futuro mais acessível, a custo da precariedade atual. Não é assim que damos exemplo de direitos. Não é assim que ensinamos nossos filhos a valorizar cada vida, cada ser humano, cada animal, cada planta. Nosso planeta.
    Não é assim que educamos nossas crianças para serem líderes políticos, pesquisadores, professores, profissionais imbuídos da busca do bem comum.
    Desculpem-me. Criei um discurso.
    Mas esse tema: reflorestamento de nossos cérebros para um mundo verde propicia um grito de luta pelo patrimônio de cada cérebro verde (nossas crianças) neste planeta. Um mundo verde, onde cada fruto (com suas peculiaridades) possa amadurecer e dulcificar nosso viver.

    Super Parabéns a vocês.

  3. Lindo texto… simplesmente a pura e triste verdade… onde vamos parar com isso… infelizmente o mundo vive o caos social… e nossos governantes sentados em cima do nosso dinheiro sem nada fazer…
    Mas graças a DEUS temos pessoas como vocês e a escritora do texto, e muitas outras, para nos dar uma luz e Esperança, Que agem com pensamentos de um mundo melhor para todos nós e as futuras gerações!

    Bjos…

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