*Nossos Artigos*

África, uma realidade de seca e fome que pode ser transformada pela moda

08 set 2011 – Por Lu Jordão em Green Life


Enquanto alguns trilham o caminho do trabalho escravo em nome de mais lucro no mercado fashion, burlando leis trabalhistas e fechando um ciclo vicioso do errado totalmente maquiado pela beleza do produto final, outros fazem o trajeto oposto, procurando o comércio justo e usando seus talentos e negócios para promover processos sustentáveis na moda e inclusão social. Na mesma medida em que o errado é denunciado, precisamos também divulgar novos formatos de negócio que vão servir como modelo para que outras possibilidades sejam discutidas. O “fair trade” (comércio justo) na prática.

Ann McCreath estudou design de moda em Roma antes de se tornar voluntária de caridade na África, devastada pela seca. Ann tinha o desejo de criar empregos em áreas rurais, oferecendo produtos com qualidade e estilo. Assim, saindo de Roma, lançou em 1996, no Quênia, sua grife chamada deKikoRomeo.

Uma moda que fomentou a economia num país devastado pela seca e pela fome, através de roupas eticamente produzidas, utilizando tecidos exclusivamente africanos, com mão de obra de artesãos das comunidades locais e de grupos de mulheres das comunidades rurais.

A designer, que também desenvolve trabalhos sociais em Angola e Zimbabwe, afirmou que: “Através da criação de uma grife de moda com comércio justo, sinto-me capaz de criar empregos e espalhar a riqueza da cultura local, gerando renda e autoestima ao povo queniano. Sim! Ter orgulho da moda genuinamente Africana, promovendo crescimento da economia local”.

Já com sua Grife KikoRomeo consolidada, peças suas usadas por Naomi Campbell, em 2008 Ann criou o FAFA (Festival For African Fashion And Arts), um festival de moda africana e artes com valorização de talentos do Quênia pela paz, que ela define assim: “Como muitos países em toda a região continuam a sofrer abusos de direitos humanos, distúrbios civis e de guerra, o FAFA visa mudar a percepção de outras comunidades, explorando a ligação entre culturas, através da arte, moda e música.


O Quênia merece ter uma luz brilhando por seu imenso talento e espero que, através da minha grife de moda, eu seja capaz de fazer exatamente isso. Promover a moda é outra maneira de focar a atenção do mundo sobre essas nações pobres, porém, talentosas.”

FAFA (Festival For African Fashion And Arts) age no Quênia desta maneira:

Promovendo a comercialização dos produtos feitos artesanalmente pelas comunidades locais.

Promovendo o Projeto Peace Patches (patchwork da paz), em que os resíduos têxteis, as sobras da confecção, são doados às mulheres que foram afetadas pela violência. Assim, elas desenvolvem seus próprios projetos através da técnica de patchwork, usando miçangas e bordados, e os vendem de volta para serem usados nas roupas.


Isso gera autoestima, valorização da cultura local, inserção do artesanal na moda, diminuindo os processos industriais, e renda para comunidades menos favorecidas.

Parte da renda do FAFA é destinada a Programas de Treinamento “Não à Violência”, visando prevenção de conflitos e reconciliação em áreas do país afetadas pela violência. Saiba mais aqui.

Este ano, a KikoRomeo e diversas outras marcas de comércio justo na África participaram do AFWNY – África Fashion Week New York, um evento que aconteceu em julho dando destaque e incentivando negócios na moda Africana

As lições que podemos tirar deste formato de negócio? São tantas! A principal é que a moda pode ser muito mais justa, humana e profunda do que se prega. Através dela podemos gerar infinitas oportunidades para outras camadas da sociedade promovendo de fato a inclusão social. A cadeia fashion pode fomentar a economia, a beleza e a dignidade em qualquer lugar do mundo. Gerar oportunidades para todos permite ao indivíduo ter o controle sobre sua vida. E um cidadão independente, em harmonia com seu meio, é um sinal de que processos sustentáveis estão sendo estabelecidos.

Moda poderia ser algo extremamente fútil em meio à seca, fome, violência… Porém, no formato de negócio praticado, ela se tornou a janela pela qual várias pessoas puderam ver e ser vistas de outra maneira. É nesta moda, que ao invés escravizar, oferece liberdade, dignidade e movimentação justa da economia, que nós acreditamos.

Lu Jordão, para Coletivo Verde

Eco Mãe – Reflexões e dicas para ser uma mamãe sustentável

6 de maio de 2011 | Para: Coletivo Verde | Por: Lu Jordão

Será que existe um modelo de “Mãe Ecológica”? Um pacote básico de práticas sustentáveis para o dia a dia: evitar desperdício de recursos naturais, usar uma eco bag descolada, andar de bicicleta, sempre que possível consumir produtos orgânicos, ficar antenada em eco moda, focar na reciclagem. Sim, de fato são traços de uma “Mulher Eco”! Mas, enquanto mães, não podemos nos resumir só a esse perfil… Temos um longo trabalho de construção!

A começar por mim, não consigo andar de bicicleta… Nunca aprendi! Desmontei minha primeira bicicleta todinha! Peça alguma ficou conectada à outra… Eu tinha mania de desmontar tudo! Eu já não cumpro todos os itens que traçam um pequeno perfil de “Mãe Ecológica”.

Uma boa parte de população, não tem o mesmo problema que eu (andar de bicicleta…), mas não tem acesso a produtos orgânicos, ou roupas eco. Estamos caminhando para ter mais produtos e, mais acessíveis nesses quesitos. Vivemos num país que AINDA não oferece amplamente serviços e produtos verdes. Eu disse, amplamente. Alguns poucos têm acesso.

Algumas mães conseguem cumprir todos os itens da listinha básica apresentada no primeiro parágrafo. Digo básica porque a preocupação ambiental vai além da mencionada lista. Outras, não conseguem – ou porque não tem acesso à informação e a produtos verdes ou porque realmente não despertaram para a urgência do respeito ao planeta e preservação de seus recursos naturais.

A sustentabilidade é um conjunto de iniciativas que vão interferir nos conceitos econômicos, sociais, culturais e ambientais dentro da sociedade propiciando uma conciliação contínua e harmônica das atividades humanas, sem desprezar as necessidades das gerações futuras. Em tudo que fazemos, devemos estar sempre atentos à preservação da biodiversidade e ecossistemas. E como mães a responsabilidade aumenta! Estamos formando cidadãos. O conceito de sustentabilidade dever ser praticado e exemplificado diariamente para os pequeninos.

Entendo que toda iniciativa eco só terá lógica (e principalmente resultados) quando estiver em todas as esferas e ambientes de nossa sociedade, quando constar como pauta obrigatória em nossas disciplinas escolares (particulares e públicas), quando for base na formação de cada cidadão, seja qual for sua classe social. Quando TODOS forem INCLUÍDOS nestas iniciativas eco. Quando conseguirmos falar em sustentabilidade em todos os bairros e vielas das cidades brasileiras, dentro da realidade de cada um.

Mas, o que qualquer mãe mais deseja para seu filho? Um mundo melhor! Independente de sua cor, raça, nacionalidade, credo… Um mundo melhor!
Então para plantar responsabilidade ambiental em nossos filhos, segue abaixo algumas pequenas e básicas dicas para que todas as mães possam viver a sustentabilidade junto com seus filhos, incentivando responsabilidade ambiental e social desde cedo!

a) Alimentação – Nada como preparar comida do seu filhote em casa. Se possível, com eles! Assim o contato com alimentos naturais e saudáveis é estimulado e a questão do aproveitamento total é trabalhada, evitando desperdícios. A cozinha é um ótimo local para aprendizado, construção e momentos de troca.

b) Roupas – Usar roupas leves, confortáveis, sempre que for possível, orgânicas (claro que nem todos tem acesso a este mercado). O que procuro sempre é evitar tecidos sintéticos, oferecendo conforto e consciência desde cedo. O vestir é uma boa oportunidade de compartilhar com seus filhos a criatividade e o consumo consciente. Combinação de peças, cores e customização de outras… Além de momentos prazerosos entre mãe e filho, você estará plantando sementes lindas no coração dele. Assim construímos histórias…

c) Brinquedos – Valorizar brincadeiras que estimulem a interação com o próximo e com a natureza usando folhas, pedrinhas, conchas, gravetos, algodão, madeira (elementos da natureza) para criar brinquedos e brincadeiras. A reciclagem é uma ótima atividade para desenvolver com os filhos e seus amiguinhos. Criar uma relação saudável de consumo em relação aos brinquedos é muito importante! Quem tem tudo pode não conseguir valorizar tudo o que tem. Estimular a doação de brinquedos pouco usados para creches e orfanatos. Se possível visitar esses locais estimulando assim a inclusão e o compartilhar.

d) Ensinar aos pequenos a cuidar do seu espaço, usar e guardar, cuidar de seu lixo… Quando passamos pela rua e vemos adultos jogando lixo de dentro do carro minhas filhas (8 e 6 anos) ficam perplexas! As “Mães Ecológicas” São formadoras de hábitos bons e saudáveis.

e) Se não for possível usar cremes, loções e shampoos orgânicos nos pequeninos, procurar linhas infantis menos agressivas, delicadas. Muitas marcas aqui no Brasil já produzem produtos infantis com ingredientes da natureza – mel, calêndula, camomila.

E o meu maior presente nesse domingo (uma data que deve ir além da pegada comercial)? São elas! Orgulho-me dos resultados construídos através de uma relação de proximidade, diálogo e atividades que incentivam a educação ambiental e a inclusão, além de construir momentos especiais. Eu poderia fazer uma matéria com dicas de presentes sustentáveis… Porém, acredito que o maior presente para qualquer mãe é sé engajar para obter um mundo melhor para seus filhos e, principalmente através de seus filhos.

Feliz dia das mães!

Por Lu Jordão

Moda Indomada – O uso de pele de animais na moda é ruim para o consumidor, para o meio ambiente e para os animais

1 de maio de 2011 | Para: Coletivo Verde | Por: Lu Jordão

Depois da grande polêmica envolvendo o uso de pele verdadeira em acessórios por uma grande marca aqui no Brasil, acho interessante refletir sobre o que isso representa de fato para o meio ambiente. Estudei para ensinar, alfabetizei crianças e adultos e idosos e entendo que quando escrevemos, trocamos, conversamos, são formas indiretas de educar econscientizar.

Não consigo ver outra maneira de mudar o mundo (a começar pelo meu mundo, minha casa)… Então, fui buscar informações sobre o comércio de peles. Da mesma maneira que já refletimos aqui sobre o Jeans. Sem extremismos, informações que trazem conhecimento, possibilidade de reflexão.

Em primeiro lugar entendemos que o Brasil não tem um histórico cultural de uso de peles. Somos um país tropical, clima nada propício para consumo de roupas ou acessórios com peles verdadeiras. Mas, as tendências surgem – primeiro nas passarelas de países que têm essa cultura e, obviamente, como o mundo fashion em solo brasileiro que andar na rota das tendências, acaba se rendendo à costumes que muitas das vezes nem condizem com nossa realidade. E não deu outra! O uso de peles verdadeiras esteve presente em vários desfiles das coleções de inverno/2011. Alguns de nossos estilistas renderam-se às peles de coelho, raposa, chinchila e nas mais diversas colorações.

Quando vi, achei pesado para nosso estilo de vida. Tanto pelo clima como por todo um questionamento sobre processos sustentáveis cada vez mais contundente por parte do consumidor. É o perfil do consumidor tem mudado! Mas, fui otimista e pensei: as peles verdadeiras não devem sair das passarelas para as ruas. Seria uma controvérsia o uso de peles num inverno ameno.

Para minha surpresa e contrariando minha linha de raciocínio coerente, saíram! O que gerou uma moda questionável, indomada, com protestos contundentes nas redes sociais… Vimos a força do consumidor! Só lamento que isso não seja uma constante, que não tenhamos a mesma postura em relação a todas as outras situações da moda que prejudicam ao meio ambiente e todos os envolvidos em sua cadeia de produção – exploração de mão de obra, resíduos químicos e têxteis no meio ambiente, uso descomunal dos recursos naturais sem pensar no dia de amanhã.

Sinto que esta força e este questionamento tenham sido canalizados para um episódio e marca isoladamente. Por que será que nas semanas de moda, a atitude das grifes não causou esta reação? Será que depois de comprovar a sua força, não vale a pena o Consumidor ao menos tentar saber o que existe por trás dos produtos que consome? Não quero usar nosso texto para mencionar nomes ou marcas que usaram peles verdadeiras. Não quero pregar contra eles. O meu objetivo é trazer dados para que o consumidor possa refletir sobre tal prática. Esses dados não vêm descritos nas etiquetas ou nos propagandas e acho justo que os tenhamos.

Apesar da nossa cultura e clima não serem favoráveis, o comércio peleteiro é um negócio muito promissor no Brasil. O País é o segundo maior produtor de peles de chinchila, atrás da Argentina. Os dados registram em torno de 500 fazendas abatendo animais e comercializando uma média de 40 mil peles por ano. A concentração de criadores de chinchila para peles está no sul do país, local de clima propício, já que as chinchilas têm origem região fria e seca.

E, em que isso implica? Vamos pontuar: Em primeiro lugar o sofrimento e o sacrifício de animais para atender a demanda da cadeia fashion. Não existe morte sem sofrimento. É fato. E os cativeiros? Locais sem a menor condição de manter animais. Não podemos achar normal o sofrimento de animais (no caso das peles), de seres humanos (no caso de descumprimento de leis trabalhistas e exploração de trabalho infantil) e do meio ambiente, em nome do consumo, da moda, essa seria a moda indomada, a moda a qualquer preço.

Não devemos esquecer também toda a violência que norteia o processo de retirada da pele destes animais. Como trabalhar estas conseqüências? Lutamos tanto contra a violência. E esta espécie de violência – choques, estrangulamentos, sufocamentos, animais sendo esfolados ainda vivos – como explicar aos nossos filhos? Acredito que o melhor caminho é evitar essa violência e não estimular ou tentar justificar.

É necessário avaliar que a quantidade de energia elétrica utilizada para produzir um casaco de pele verdadeira é aproximadamente 20 vezes maior do que precisariam utilizar para fabricar um casaco de peles sintéticas, conforme alguns estudos já feitos.

Devido à necessidade de tratamento químico para que as peles de animais não apodreçam os casacos de pele não são biodegradáveis e, durante este processo de tratamento, as substâncias químicas utilizadas são descartadas nas tubulações de esgoto, contaminando todos os afluentes de água da região próximos aos curtumes. Segundo pesquisas, são mais de 200 produtos químicos para tratar e fazer qualquer tipo pele verdadeira e, entre esses, há utilização de metal pesado.

Ashley Byrne, da ONG internacional de proteção aos animais Peta, afirma que as peles sintéticas são mais leves, mais duráveis e práticas para cuidar. A cada dia que passa a indústria têxtil oferece alternativas de tecidos com uma aparência muito similar ao das peles animais. É possível aderir A tendência usando materiais sintéticos (principalmente se estes puderem ser reciclados) e assim evitar todo o exposto acima. As vantagens da pele sintética:

  • Evitar o sofrimento de animais, a violência do processo e a preservação de seus direitos.
  • A pele sintética é tecido, maleável e, portanto mais fácil de costurar.
  • Mais fácil de conservar, sem necessidade de armazenamento em lugares especiais e livres da absurda quantidade de produtos químicos tão prejudiciais ao meio ambiente para conservação de peles verdadeiras.
  • Consome menor quantidade de energia elétrica em sua produção.

pele fake pode ser feita de diversos materiais e ainda é necessário avaliar suas conseqüências para o meio ambiente, buscando sempre materiais que possam ser reciclados. Mas, se você não abre mão de uma tendência (e eu não prego isso!!!) que esta tendência seja o mais consciente possível, avaliando os prós e os contras.

Vale registrar que somos um país riquíssimo em recursos naturais e artesanais. Certamente a valorização desses recursos agrega muito mais valor aos acessórios do que peles de coelho, chinchila ou outras. Fica o nosso registro para colaborar com a reflexão do Consumidor.

Percebemos estes dias o poder que este tem para mudança de posturas. Por isso não tenho receio algum de afirmar que a moda e a vida serão mais éticas através de nosso poder de decisão – O que estou comprando? Por que estou comprando? Qual a origem do produto adquirido? Qual o seu destino quando eu não precisar mais dele? – Respostas necessárias, após reflexões baseadas em fatos concretos e que vão trazer coerência em nossas decisões, estimulando uma relação melhor entre homem, meio ambiente e consumo.

Isso é a tal sustentabilidade, que deve sair dos textos, para a prática, provocando mudanças concretas, tirando produtos das prateleiras sim! Por que não? Porém, o objetivo realmente é a conscientização para que eles nem cheguem às prateleiras, pois os danos são irreversíveis.

Fontes de pesquisa: Site da ONG Peta, Wikipédia, Site Cia. De Furão
Fotos: São do fotógrafo e cineasta Gregory Colbert, videoartista canadense muito conhecido por estas fotos que fazem parte de seu projeto Ashes and Snow que tem o objetivo de mostrar a interação harmônica entre humanos e animais. As fotos são incríveis e não são montagens não! Gregory colheu estas imagens no decorrer de 10 anos em lugares diversos – Etiópia, Namíbia e Anatática.

Por Lu Jordão

Jeans e Meio Ambiente – Moda Consciente, saiba como sua produção afeta a natureza

15 de setembro de 2010 | Para Coletivo Verde| Por: Lu Jordão


O Jeans e o Cenário da Moda Atual

Quando falamos em sustentabilidade e consumo consciente precisamos pontuar que comprar um produto é muito mais do que aquilo que estamos adquirindo. É uma urgência prestar atenção nos valores que estão por trás das mercadorias que compramos. E deve ser assim para tudo o que consumimos.O que seria a moda sustentável, como defini-la? Responder a essa pergunta é tarefa complexa e, temos que pensar em todo o processo de produção da indústria da moda, na utilização de materiais orgânicos e valorização de mão de obra local.

O processo de fabricação de apenas uma calça jeans consome quantidade de água igual a que uma pessoa precisa para viver durante um ano.

Para que o seu jeans seja sustentável de verdade, ele deve ser feito com algodão orgânico e para produzi-lo é necessário evitar o seu contato com produtos químicos e substâncias tóxicas. Entendam bem, não temos condições hoje, diante do cenário atual, de nos negar a usar a moda “não orgânica” (se assim podemos chamar…). E não é nossa proposta um boicote louco, inflexível e nada inteligente. Nossa única intenção é ter registros da situação real. Informação clara e séria que leva à reflexão. Reflexão leva a mudança de hábitos. E, mudança de hábitos é a única saída para nosso planeta, uma vida saudável para nossos filhos e nossos netos…

Certamente há uns três anos atrás eu não tinha essa inquietação ou noção do que havia por trás das roupas que eu comprava… E talvez ainda não tenhamos uma noção real da história de cada marca onde compramos… O controle ainda é praticamente impossível. Saber se uma empresa tem um processo industrial correto, com tecidos orgânicos, processo de tintura correto sem desprezo irresponsável no meio ambiente, valorização de sua mão de obra com respeito às leis trabalhistas, não utilização de mão de obra infantil e programa de aproveitamento de resíduos, não é tarefa fácil… Como consumidores ainda não temos estes dados ou mecanismos claros e eficazes de fiscalização para controle e decisão de “usar” ou “não usar”. Atrevo-me a dizer “ainda” porque sinceramente, diante da quantidade de informações que estão circulando, diante da consciência dos consumidores e seu perfil exigente, o que há por trás da moda ficará mais claro dia após dia…


A busca por um Jeans Mais Sustentável

Vale destacar que é preciso ter atenção quanto à certificação do algodão utilizado nos jeans. Esta postura torna-se “moda” ou “moda leviana” quando alguns empresários colocam etiquetas de produto orgânico, mas ainda utilizam algodão com emprego de agrotóxico para rápido crescimento ou, fibras sintéticas misturadas ao mesmo sem informar o consumidor.

Além disso, para ser sustentável mesmo, a mão de obra precisa ser remunerada de acordo com as leis trabalhistas bem como toda a parte de segurança do trabalho (EPI) e bem estar social, devem ser observados. Em relação ao tingimento, deve ser feito com coloração natural e as lavagens das calças devem ser feitas sem produtos químicos. Dessa forma pode-se implantar sistema de reaproveitamento da água empregada nas lavagens.

O programa de reaproveitamento ou reciclagem de todos os resíduos desse processo também é muito importante ou, gera-se lixo têxtil, um dos grandes agressores do meio ambiente. Para finalizar, o design deve ser objeto de desejo, fugindo do fantasma do “ecologicamente correto, porém, nada fashion ou brega, cafona, tortinho…”

O jeans é verdadeiramente sustentável quando:

  • É feito com algodão orgânico e certificado ou, com reaproveitamento de jeans já existente no mercado;
  • Mão de obra remunerada de acordo com as leis trabalhistas e atenção à segurança do trabalho;
  • Tingimento é natural;
  • Programa de reaproveitamento da água utilizada na lavagem que, para isso deve ser sem produtos químicos;
  • Programa de reciclagem de resíduos, reduzindo quase em sua totalidade o lixo têxtil. Para que o produto chegue perfeito e desejável às prateleiras, deve ter um design interessante. Todo o processo de produção deve obedecer à legislação e às normas ambientais, buscando como complemento o melhor aproveitamento no uso de recursos naturais e a preservação da natureza e da biodiversidade.

Tingimento Natural: Para quem quer entender um pouquinho mais, as tinturas químicas que agridem profundamente os rios, no processo sustentável são substituídas por corantes naturais. Podemos citar como exemplo o cultivo sustentável da anileira, fonte de índigo natural (o azul vegetal) e o cultivo de alfafa, aveia e trigo que são fontes de clorofila, o pigmento verde.

Bom exemplo:

Na Holanda, a marca Kuyichi já consegue produzir uma linha de jeans 90% orgânica em larga escala. A marca conseguiu alterar praticamente toda a sua produção com adequação às necessidades do meio ambiente, diferente de outras marcas, que investem somente em linhas de jeans orgânico e por coleção. Seu jeans é resultado de algodão natural plantado e produzido com técnicas artesanais por índios do Peru, sem a adição de agrotóxicos ou de fibras sintéticas.

Quanto custa fazer uma moda correta? Essa é a questão… Quando os custos de um processo correto concorrem com os custos de fast fashion (que não tem seus produtos gerados dentro de uma cadeia sustentável por consequência da celeridade para atender a demanda de muitas coleções e no menor custo possível) o valor assusta. Uma calça da Kuyichi custa em torno de 150 euros (R$ 333,00). Porém, se compararmos isso a uma calça de grife (que quase sempre é fabricada sem a preocupação ambiental ou social), o valor torna-se mais real. Vale a reflexão: ao comprar um jeans por  R$ 69,90, quem financia a diferença é o meio ambiente e a mão de obra explorada. É extremista? Sim! Mas, real. Podemos mudar instantaneamente? Não!  Porém, podemos questionar e mover para que as mudanças na indústria da moda sejam pensadas

Empresas que já trabalham com Jeans Ecologicamente Corretos:

A Tristar, uma empresa familiar do Rio de Janeiro , tem o jeans feito com algodão e tingimento orgânicos.  Para ser limpo nada de água e sabão! Segundo a marca, 24 horas na geladeira ou freezer, matam as bactérias. O jeans sustentável ainda é dupla face, permitindo variações e consumo consciente. Um short e uma calça, ambos dupla face, foram produzidos dentro do total conceito de sustentabilidade. A Tristar fornece o tecido para diversas marcas no Brasil e no exterior. A idéia da marca carioca surgiu em uma feira de Berlim voltada para sustentabilidade. O tecido da Tristar é resultado do plantio de algodão em uma área preservada durante cinco anos, o que dispensou o uso de agrotóxico. Todo o processo foi comandado pela Santista Indústria Têxtil, de São Paulo.

A Tavex Corporation fabricante do tecido Bio Denim, que substituiu seus processos químicos por naturais em toda a linha de produção do produto.  Um amido natural de batata foi usado no lugar da goma sintética e nos processos de lavagem e tingimento, a manteiga de cupuaçu foi utilizada como amaciante natural, resultado de uma parceria com a  comunidade da Amazônia. A extração é feita por 700 famílias, o que movimenta recursos na região, atendendo as necessidades das famílias locais. O acabamento produzido com algodão reciclado e, feito exclusivamente com fibras e fios reaproveitados do próprio processo industrial. Além do Bio Denim, 75% dos ‘denins’ produzidos pela Tavex já recebem este acabamento, o que demonstra adequação da indústria ao meio ambiente. O lançamento do Bio Jeans foi feito pelo estilista brasileiro Carlos Miele, através da Miele Jeans em Nova York.

A Eden Organic é outra marca brasileira de São Paulo, que assiste 200 famílias no campo, produtores de algodão 100% orgânico. A marca desenvolve os princípios da sustentabilidade na indústria e em toda sua cadeia produtora. Os produtos têm um design extremamente estiloso.

Algumas marcas não adequaram toda sua produção, mas já criam linhas de jeans orgânicos. Uma delas é a Diesel que criou a linha “Pure Organic”, feita em algodão natural, e segundo eles, sem utilização de nenhum processo químico em sua produção. A Levi’s criou a linha Levi’s Eco, produzida com algodão 100% orgânico e certificado. Saiu na coleção passada. Agora em agosto, tentei achar aqui no Rio de Janeiro e não consegui.

Conclusão

Concluímos que, ao falar em moda, além de todo o exposto acima, as RELAÇÕES DE TRABALHO JUSTAS devem ser uma realidade. Todos os envolvidos na produção de uma roupa devem ser valorizados. O estilista tem todos os seus méritos e imensurável valor como criador, mas seu produto final terá muito mais valor agregado se o agricultor que plantou o algodão e a costureira que executou a peça também forem reconhecidos. As três partes merecem condições de trabalho e salários justos. Isso é dignidade social… É o lado da sustentabilidade que vai junto com a preservação ambiental. Para isso torna-se necessária a organização objetivando a produção local, diminuindo ou anulando o ato de importar material e mão-de-obra, o que alimenta a prática da mão de obra com preços injustos e vergonhosos. Assim, a indústria contribui para o desenvolvimento de sua própria região. Sempre, ao final de cada matéria faço questão de registrar que a moda tem dois grandes e urgentes desafios: a sustentabilidade e a inclusão – uma moda para todos.

E se você conhece outras marcas de jeans orgânicos, compartilhe os links conosco!

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2 Respostas para “*Nossos Artigos*

  1. Olá! É minha primeira vez aqui e adorei a proposta do site! Me apaixonei pelas coisas coloridas e pelo viés sustentável!
    Pretendo visitar mais vezes!
    Parabéns!

  2. Poliana Gomes

    Nossa!!! adorei tudo, é exatamente o que falta por aqui , artigos ricos com conteúdo, podemos falar de inclusão, cores, raças e tudo junto e misturado , vou vim mais vezes por aqui …SUCESSO!

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