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Samariquinha – Uma Poesia Para os Olhos

Conhecendo a Samariquinha, Grife da jornalista e artesã Micheline Matos, entendemos que poesia pode ser lida, ouvida e vista . A poesia da Samariquinha é construída não com palavras mas, com tecidos… A junção de uma diversidade de materiais, estampas, muitos retalhos (o que torna sua arte sustentável), aviamentos, aplicações em crochê, rendas diversas e  mini flores em tecido, desenha poesia para os nossos olhos. A delicadeza da criação nos aproximou do trabalho da artesã, que dividiu conosco um pouco de seu universo criativo. Amamos poder apresentar artesãos, seus trabalhos e principalmente mergulhar em seu mundo. Toda arte tem sua verdade e só podemos entendê-la plenamente entrando no mundo do artista. Micheline nos deu uma entrevista encantadora. Encontramos uma jornalista formada, exercendo um dom – o de encantar por meio dos tecidos combinados… Criar peças exclusivas, como a Samariquinha faz, é um desafio alimentado por um baú de idéias, sentimentos e inspiração. Esse baú? Reside nas mãos de Micheline!

DMA – Onde nasceu, Micheline?

MM – Nasci numa cidadezinha chamada Brejo Santo, no interior do Ceará, mas sai de lá com 13 anos. Como morei em diversos lugares, de Alto Paraíso em Goiás à Barcelona, me considero meio do mundo, mas minhas raízes se refletem no meu trabalho. Moro em São Paulo desde 2006.

DMA – Quem é Micheline por Micheiline?

MM – Curiosa, inquieta, amante da natureza e dos bichos, sou vegetariana por causa deles! Sou adepta de uma frase do escritor Roberto Freire que hoje virou até frase feita, mas é pura verdade pra mim: “Sem tesão não há solução”. Eu preciso estar completamente encantada para fazer bem meu trabalho e tudo na vida, sou uma eterna apaixonada.

DMA – E Samariquinha por Micheline?

MM – A Samariquinha é meu caldeirão criativo, um patchwork sem muita métrica, mas com um amor imenso. Digo sem métrica porque adoro técnicas mais livres e o patch não é tão livre assim.Eu como amante dessa técnica, mas não muito dos números, tento fazer algo bacana, mas não muito certinho.

DMA – Como foi o seu  início, sua introdução no artesanato?

MM – A marca nasceu quando comecei a costumizar camisetas com bordados e rendas, mas antes disso eu já havia desenvolvido bijouterias com pedras brasileiras e pintado muitas luminárias de vidro para velas. Costumo dizer que a arte saiu de mim quando voltei da minha temporada na Espanha. Quis aprender algumas coisas para fazer com as mãos. Um amigo me ensinou a montar bijouterias e nessa mesma época fui viajar pelo Brasil. Na minha passagem pelo planalto central aprendi a pintura em vidro. Mas foi o bordado em 2005 a verdadeira paixão. Quando vim morar em São Paulo aprendi a costurar e meu mundo nunca mais foi o mesmo!

DMA – Como define sua arte?

MM – Tento transformar pedaços de panos e linhas em poesia, como diz uma amiga eu agora escrevo com outro tipo de letra(sou jornalista e desde dezembro de 2008 trabalho só no atelier)

DMA – Qual a técnica usada?

MM – Já definiram como um patchwork contemporâneo, no entanto nunca fiz cursos de patch, tive sim algumas aulas com uma professora maravilhosa, a Jô Rodrigues.

DMA – Como se dá seu processo de criação?

MM – Para desenvolver os travesseiros, que são peças únicas, criei um questionário onde as respostas da cliente mapeiam a criação da peça. Depois faço um desenho e começo a separar os materiais. Para as outras peças não crio desenhos, vou mexendo nos materiais e dali vão saindo os modelos.

DMA – Qual a matéria prima usada?

MM – Tecidos de algodão, muitos retalhos, aviamentos como sianinhas, galões, aplicações em crochê e rendas diversas, garimpadas nas minhas viagens(minha paixão), botões, fuxicos, mini flores em tecido e tudo acho lindo vou misturando.

DMA – Qual a influência para o seu trabalho?

MM – Ao ver rendas tão lindas lá no ceará geralmente sendo usadas como acessórios para cozinha, eu pensava que elas mereciam brilhar em outros universos.

DMA – O que inspira a Micheline?

MM – Às vezes uma bela história de um livro, uma foto, algum detalhe de uma roupa de alguém que vi na rua, meus livrinhos de arte, exposições de arte, música, revistas de moda e decoração, sites de crafters pela internet…

DMA – Como comercializa seus produtos?

MM – Tenho uma vitrine na Internet e a maioria das vendas se dá por meio de e-mails mesmo. Mas, pretendo montar uma lojinha virtual.

DMA – Como vê o artesanato e a posição do artesão no Brasil?

MM – Atualmente, em todas as partes do país, é possível encontrar produção artesanal feita com matérias-primas regionais e com técnicas específicas que variam de acordo com a cultura e o modo de vida do povo de cada localidade. Esses contrastes tornam o nosso artesanato mais valioso e indubitavelmente cria uma identidade nacional. Vejo que o artesanato ganha ainda mais visibilidade quando aliado ao designer seja de produto ou de moda. A maioria dos artesãos para crescer e empreender seu negocio necessita aliar o designer ao seu produto, caso contrário, viram alvo fácil de atravessadores que pagam uma quantia irrisória pelo seu trabalho.

DMA – Existe uma peça preferida?

MM – Amo fazer os travesseiros personalizados, todos são peças únicas, isso é um desafio que me alimenta.

DMA – Um momento marcante na criação de sua marca?

MM – A Internet te abre portas incríveis e pessoas vão te descobrindo e isso ainda me surpreende. Um desses momentos foi quando a atriz Isabela Garcia me comprou o segundo travesseiro que fiz. Nessa época eles ainda nem eram personalizados.Eu falei pra ela que a mesma foi um dos meus amuletos da sorte, pois não parei mais de vender os travesseiros.

 DMA – Vimos que você cria almofadas, travesseiros, camisetas e acessórios para casa e decoração.  Linhas de produtos diferentes. Alguma se destaca?

MM – Meu forte são peças personalizadas, mas agora estudando moda estou desenhando novos projetos ligados a vestuário, em breve voltarei a comercializar camisetas, mas com modelagem nova e não só costumizadas. Quero levar um pouco do que desenvolvo nos travesseiros para roupa, mas tudo bem devagar, pois ainda faço tudo sozinha.

 DMA – E sobre seus planos para o futuro?

MM – Ter uma pequena equipe para acelerar a produção, pois tenho fila de espera e muitas vezes as pessoas não tem paciência de esperar e eu termino perdendo a venda. Mas mesmo com uma equipe não pretendo perder a qualidade e nem deixar de lado a estrutura artesanal das minhas peças, afinal esse é o diferencial.

DMA – Uma palavra para incentivar os artesãos  que estão começando…

MM – Acredite naquilo que te move e procure aprender e se aperfeiçoar. Seja sempre curioso e aprenda a gostar de garimpar materiais. Às vezes compro uma peça em brechó só por causa dos botões ou pelo tecido. Esse tipo de atitude faz o trabalho ter uma cara única.

 DMA – Algo que não perguntamos e que gostaria de falar?

MM – O nome Samariquinha veio da minha bisavó. Como naquela época as mulheres eram chamadas de sinhá e ela era carinhosamente chamada de Mariquinha, seus empregados misturavam os dois nomes e terminavam a chamando de Samariquinha. Ela fazia renda de bilros, mas infelizmente não passou esse dom adiante. Desde que comecei, todas as peças levam pelo menos uma aplicação desse tipo de renda. Sou de uma família de muitas mulheres, a maioria faz trabalhos manuais.Eu sou jornalista e só descobri tardiamente o prazer de trabalhar nesse universo.

 Vamos as fotos da poesia de Micheline para a Samariquinha? Inspire-se! Peças de uma delicadeza e harmonia ímpar…

 

Gostou do trabalho de Micheline Matos?

Visite sua página na internet: www.flickr.com/photos/samariquinha

Seu e-mail: micheline@yahoo.com.br

Micheline, agradecemos por compartilhar sua arte em nossa Galeria e agora você é parte desse espaço. Sua obra ficará registrada aqui com os demais artesãos, designers, estilistas, artistas plásticos que amam o feito a mão e a sustentabilidade.

Que seus projetos se concretizem, que sua poesia em tecidos ganhe o mundo pois ela de fato tem assinatura para isso! E, em sua última frase na entrevista, você afirmou ser uma jornalista que descobriu tardiamente o trabalho feito a mão. O resultado de seu trabalho vem de sua essência, de toda a bagagem relatada por você em sua entrevista. Seu dom floresceu delicadamente e no tempo certo, querida… Maduro, lindo, delicado no resultado e forte na essência. Receba o carinho do Duas Moda e Arte e sempre que tiver novidades – loja na ar, projetos, produtos novos, exposições – nos avise. O espaço é seu!

Post by Lu Jordão

Próxima matéria com a Natural Fashion – um exemplo de empresa, moda e arte sustentável!

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